LITERATURA: NÉ VAZ ESTREIA COM ROMANCE ‘PÉROLA ROUBADA

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Escritora, Vanessa Margarida Buté Vaz (Né Vaz)

A jovem escritora, Vanessa Margarida Buté Vaz (Né Vaz), lançou na última semana o seu primeiro romance com o título ‘Pérola Roubada’, no qual retratou as violações que as mulheres guineenses e não só, são alvos a cada dia que passa. Além da violência baseada no género, onde as mulheres são as maiores vítimas, a obra aborda também os tabus da sociedade guineense.

Um livro de 283 páginas dividido em 49 capítulos tenta espelhar o dia-a-dia das mulheres guineenses, a violência doméstica, sobretudo a violência e abuso sexual.

Né Vaz disse que conseguiu cumprir com uma das três supostas obrigações na vida de um homem que, segundo espelha, é plantar uma árvore, que já afirma ter plantado. Depois do livro que acabou de lançar, a escritora pensa agora ter um filho para completar a outra parte da sua vida. Com sorriso na cara ela solta de seguida uma gargalhada para a plateia.

Autora da Pérola Roubada, não se esqueceu de agradecer aos pais, enfatizando a presença da mãe e do pai. Na altura de divulgação da sua primeira obra literária, o pai estava de viajem, mas, mesmo assim, enviou à filha uma mensagem de força antes do lançamento do libro, estendendo o seu agradecimento a todos que marcaram presença no palco do seu primeiro romance dedicado à violência contra as mulheres. Alias, Né Vaz de 25 anos de idade fez uma menção especial a jovens mulheres presentes no salão de um dos hotéis de Bissau.

“Acaba de nascer a obra do meu sonho! O sonho tornou-se realidade e, por não ver a satisfação maior do que ver o meu sonho realizado. Estou mergulhada em felicidade por estar a partilhar este momento convosco”, sublinha Né Vaz.

A jovem autora considera que a história de um livro não começa com a sua escrita, acrescentando que ‘há toda uma história ou várias outras histórias que antecedem um livro’. Para de seguida, assinalar que o livro é apenas um instrumento, um veículo para outras histórias que, na sua visão, cada um pode criar.

Para Né Vaz, o início desta história é saber que conseguiu contar, por escrito, a história daqueles que não conseguem contar as próprias histórias. Neste particular, Vaz contou uma estória de quando estudava, onde fora destacada pela professora entre os colegas depois de um exame, mesmo tendo doze valores. Diz que se estranhou em como a professora lhe destacou com 12 pontos. E pediu a explicação à professora: Curiosamente, em resposta a professora disse-lhe que decidiu distingui-la porque articulou bem as respostas mesmo estando erradas, batendo a sala toda em gargalhada. Com isso, a autora da Perola Roubada tenta explicar o seu dote pela escrita, mas deixa claro que os seus seguidores na rede social facebook foram determinantes em incentivá-la para escrever uma obra. Neste sentido confessa que nunca pensou que podia escrever algo publicável.

Relativamente ao tema escolhido e que a Né Vaz considera de ser um tabu na sociedade guineense, teve muita coisa por dentro. Contudo aceita que teve uma motivação comercial, tendo em conta que os assuntos controversos e sensíveis, vendem mais. Na mesma observação, acrescenta que a escolha do tema foi determinada pela preocupação de consciencialização, juntando assim útil e agradável ao abordar um tema tabu, particularmente para as mulheres.

Para autora da Pérola Roubada, a violência contra as mulheres é uma agressão contra a sociedade e contra os seus mais nobres valores humanos. Sublinha, no entanto que a melhor forma de quebrar os tabus, é falar sobre eles. “O romance tem este poder”! Justificando que ‘permite-nos imaginar, criar e invadir o eu dos outros, sem precisar apontar dedo aos culpados reais’.

Presente na ocasião, o presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau e igualmente o pioneiro do género literário (romance guineense), Adulai Sila enalteceu a coragem que a jovem tem em abraçar um desafio de escrever um livro. Para de seguida afirmar que a Né Vaz é a segunda mulher a escrever um romance na história da Guiné-Bissau, incentivando aos jovens a se dedicarem mais à literatura.

A obra Pérola Roubada foi apresentada pelo sociólogo guineense, Miguel de Barros e editado pelo Chiado. Teve boa assistência dos amantes da cultura e literatura. O ato contou ainda com animação musical de Nelson Bomba, com atuação ao vivo.

In Udjus Di Guiné

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