MINISTROS DE SAÚDE DA ÁFRICA COMPROMETERAM EM DAKAR ACABAR COM SURTOS DE CÓLERA

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Os ministros de Saúde da África comprometeram-se a implementar estratégias-chave para acabar com os surtos de cólera na região africana até 2030, anunciou a Organização Mundial da Saúde.

A posição foi divulgada na 68.ª sessão do Comité Regional da OMS para a África, realizada em Dakar, Senegal, com o diretor regional daquela agência das Nações Unidas, Matshidiso Moeti, a sublinhar que “a cólera é um símbolo de desigualdade”.

Na sessão o comité, de 47 países adotaram o Quadro Regional para a Implementação da Estratégia Global de Prevenção e Controlo da Cólera.

Ao adotar este plano, os países comprometem-se a reduzir em 90% a magnitude dos surtos de cólera, nomeadamente entre populações vulneráveis e em crises humanitárias.

Os países concordam ainda em tomar ações baseadas em evidências, que incluem o reforço da vigilância epidemiológica e laboratorial, o mapeamento de pontos crucias de cólera, a melhoria do acesso ao tratamento oportuno, o fortalecimento da vigilância transfronteiriça, a promoção do envolvimento da comunidade e o uso da Vacina Oral contra a Cólera (OCV), assim como o aumento de investimentos em água potável e saneamento para as comunidades mais vulneráveis.

O diretor regional para África da OMS referiu que a vacina oral contra a cólera “demonstrou ser altamente eficaz” e que aquela agência “facilitou a vacinação de milhões de pessoas em toda a África”.

Em 2017, foram registados em 17 países africanos mais de 150.000 casos de cólera, incluindo mais de 3.000 mortes.

No ano seguinte registou-se um aumento nos casos de cólera em todo o continente africano, com oito países atualmente a lidar com surtos da doença.

A região é vulnerável à cólera por inúmeras razões. Desde logo, 92 milhões de pessoas em África ainda bebem água de fontes inseguras, nas áreas rurais, a água canalizada muitas vezes não está disponível e as pessoas praticam a defecação a céu aberto.

Crises humanitárias, mudanças climáticas, rápida urbanização e crescimento populacional estão também a aumentar o risco de disseminação da cólera.

De 2013 a 2017, a OMS apoiou 65 campanhas de vacinação contra a cólera e forneceu mais de 16 milhões de doses de vacinas a 18 países em todo o mundo, incluindo 11 em África.

Muitos dos fatores de risco para a cólera, como saneamento precário e urbanização rápida, estão fora do setor da saúde e, como tal, a OMS está a trabalhar com uma coligação de parceiros internacionais para envolver todos os setores relevantes e construir uma resposta abrangente e sustentável em toda o continente.

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